Um levantamento divulgado nesta semana mostra que o varejo é o setor que mais usa o consignado CLT no Brasil. Para o dono de loja, o dado importa menos pelo crédito em si e mais pelo que ele revela: p...

Um levantamento divulgado nesta semana mostra que o varejo é o setor que mais usa o consignado CLT no Brasil. Para o dono de loja, o dado importa menos pelo crédito em si e mais pelo que ele revela: parte da equipe de balcão e caixa já chega ao emprego com uma parcela comprometida do salário antes mesmo do primeiro contracheque.
Por setor, o varejo e o comércio lideram, com 22,9% dos contratos, seguidos pela indústria (19%) e pelos serviços administrativos e de terceirização (15,4%), segundo o estudo da fintech Bull, especializada em soluções de crédito.
Quem pega esse crédito dentro da loja?
O levantamento aponta que 56,3% dos contratos são de funções operacionais, e que, somadas as técnicas, o índice sobe para 84,9% da carteira — com auxiliar de limpeza, vendedor, assistente administrativo e operador de produção entre as ocupações mais frequentes. O ticket médio cresce pouco por nível hierárquico: fica perto de R$ 1.500 no operacional e R$ 2.350 na gestão, o que confirma tratar-se de um produto de base salarial, não voltado a cargos de chefia.
Por que isso preocupa o lojista como empregador?
O estudo mostra que 55,3% dos tomadores estão há menos de três anos na empresa em que trabalham hoje, e 19,8% há menos de um ano — entre trabalhadores de 18 a 24 anos, esse índice chega a 87%. É justamente o perfil de maior rotatividade no varejo, setor que já convive com entrada e saída constante de equipe no caixa e no balcão. Como a margem consignável pode chegar a 35% da remuneração disponível, o desconto automático reduz a renda líquida do funcionário desde a primeira parcela — o que pode pesar ainda mais sobre quem já troca de emprego com frequência.
O que já mudou nas regras desse crédito
Em abril de 2026 entrou em vigor o teto de juros do setor, pela Resolução CGCONSIG nº 2/2026, e no mês seguinte as concessões de mercado recuaram cerca de 22,8% na comparação mensal, segundo dado do Banco Central citado no estudo. A modalidade, batizada oficialmente de Crédito do Trabalhador e lançada em março de 2025, já superou R$ 101 bilhões em operações e 17 milhões de contratos até janeiro de 2026, somando cerca de 8,5 milhões de trabalhadores CLT.
Para quem administra o caixa da loja, o consignado da equipe entra na mesma conta de outras pressões sobre a folha, como o 13º salário que aperta o caixa junto com a Black Friday e a discussão sobre o salário mínimo de 2027 e seu peso na folha. Separar esse custo de pessoal do fluxo de caixa da operação é parte do controle financeiro que um sistema de gestão como o da CGSYS ajuda a manter organizado, ligando contas a pagar e a receber ao movimento real da loja.