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Blog / Gestão

Selic cai a 13,75%, mas crédito da empresa não: o que isso muda pra tua loja

19 DE SET DE 2026/Cristiano Gross/3 min de leitura

O Copom cortou a Selic de 14% para 13,75% ao ano nesta quarta-feira (16/9), o quinto corte seguido desde março. Notícia boa pra quem lê rápido — mas o crédito que a tua loja usa pra repor estoque não...

Selic cai a 13,75%, mas crédito da empresa não: o que isso muda pra tua loja

O Copom cortou a Selic de 14% para 13,75% ao ano nesta quarta-feira (16/9), o quinto corte seguido desde março. Notícia boa pra quem lê rápido — mas o crédito que a tua loja usa pra repor estoque não segue a Selic em tempo real: em julho, a taxa média cobrada de empresas chegou a 25,4% ao ano, com alta de 1,1 ponto percentual só naquele mês, o maior nível desde 2017.

Ou seja: a Selic caiu, mas o custo do capital de giro para pessoa jurídica subiu. Antes de sair contratando crédito pra comprar mercadoria pensando que "os juros baixaram", vale entender por que essas duas coisas não andam juntas no curto prazo.

Selic caiu, então o crédito da empresa ficou mais barato?

Não necessariamente, e não na mesma velocidade. Um economista ouvido pela imprensa de Sorocaba explicou que o corte de 0,25 ponto é pequeno e que seus efeitos podem levar de seis a nove meses para chegar ao consumidor e à empresa. Além da Selic, o banco embute o risco de cada negócio na taxa final, e é por isso que o custo de capital de giro, antecipação de recebíveis e compra de estoque segue elevado mesmo com o corte anunciado.

Vale usar crédito pra comprar estoque agora, pensando em Black Friday e Natal?

Segundo o Sebrae, a recomendação para esse período é planejar estoque de forma enxuta, priorizando produtos de alta rotatividade e margens mais atrativas, justamente para não pressionar o capital de giro. Faz sentido: com o crédito ainda caro, comprar mercadoria de giro lento usando empréstimo é dobrar o risco — paga juro alto por um produto que ainda vai demorar pra virar caixa.

Como decidir sem contar só com a manchete da Selic

A conta que importa não é a Selic isolada, é a comparação entre o custo real do crédito contratado (taxa do banco, não a Selic) e a margem do produto que esse dinheiro vai financiar. Se o giro do produto é lento e a margem é apertada, o juro de mais de 25% ao ano ao longo do ano pode consumir o lucro da venda antes mesmo de ela acontecer.

É aqui que ajuda ter visão clara do fluxo de caixa da loja, e não só da planilha de vendas. No CGSYS, o módulo financeiro liga as contas a pagar e a receber diretamente às vendas e às entradas de mercadoria, o que dá pro lojista enxergar, antes de pedir um empréstimo, se o caixa que já está entrando cobre a compra sem precisar de crédito — ou se a operação realmente depende dele.

A Selic mais baixa é um sinal de que o cenário pode melhorar, mas o crédito de hoje ainda custa o que custava há meses. Antes de assinar um contrato de capital de giro pensando na Black Friday, vale fazer a conta com a taxa que o banco realmente vai cobrar, não com a manchete do Copom.

Tua loja já calculou quanto esse crédito custaria frente à margem do produto que ele vai financiar, ou a decisão ainda é no feeling?