O split payment vai separar automaticamente a parte do imposto em cada venda paga por cartão ou Pix, mandando esse valor direto para o governo antes mesmo de cair na conta da loja. Na prática, o dinhe...

O split payment vai separar automaticamente a parte do imposto em cada venda paga por cartão ou Pix, mandando esse valor direto para o governo antes mesmo de cair na conta da loja. Na prática, o dinheiro que hoje passa pelo caixa do lojista e ajuda a bancar o capital de giro até o vencimento do imposto vai parar de existir como fonte de financiamento.
O que é o split payment?
O mecanismo funciona de maneira relativamente simples: quando uma venda é realizada por meios eletrônicos, como cartão ou Pix, o valor correspondente aos tributos deixa de passar pelo caixa da empresa e é direcionado automaticamente ao Fisco, restando ao estabelecimento apenas o valor líquido da operação.
Quanto isso pesa no caixa da loja?
O efeito não é pequeno. Em determinados cenários, estamos falando de cerca de 50 dias de fluxo de caixa que deixam de existir, e o problema atinge em cheio quem trabalha com margem apertada e alto volume de vendas, caso típico de varejo, atacado, distribuição e transporte.
Um exemplo prático
Para visualizar o tamanho do buraco no caixa: numa loja que vende uma camisa por R$ 100, pelo procedimento simplificado, com retenção hipotética de 28%, R$ 72 ingressam no caixa do lojista e R$ 28 são recolhidos diretamente ao Fisco. Se o cliente devolve a mercadoria, a loja precisa devolver os R$ 100 inteiros ao cliente — mas só recebeu R$ 72.
E se o cliente devolver a compra?
Essa lacuna já tem regra prevista. Na devolução ou no cancelamento de operação cujo débito tenha sido extinto por split payment, o valor recolhido retorna ao fornecedor em dinheiro, no prazo de até três dias úteis contados do estorno, conforme o novo dispositivo incluído na Lei Complementar 214/2025.
O que muda na prática pra pequena empresa?
Mesmo quem está no Simples Nacional não escapa: empresas do regime Simples Nacional também estarão sujeitas ao split payment, embora ainda existam dúvidas sobre como ele será aplicado. Por isso, especialistas recomendam revisar desde já a política de capital de giro e simular o impacto da retenção em cada venda.
Para quem já opera com controle de caixa, estoque e financeiro integrados — como no sistema de gestão CGSYS — o próximo passo é acompanhar de perto os atos que vão fixar os percentuais definitivos do split payment nos próximos meses.